Estava preparado para ver o filme Avatar, em 3D. Fui ao cinema com esse propósito. Chegando lá, deparei-me com a imensa fila para comprar os ingressos. Só a imagem da multidão já causava um desconforto. Todavia, ainda tinha mais: quando examinei melhor o painel de indicação dos filmes em cartaz, as sessões de Avatar estavam esgotadas. Para não perder a viagem procurei um filme que ainda não tivesse assistido e que tivesse disponibilidade de ingressos. Sobrou Julie & Julia. Bem, havia ouvido falar muito pouco do filme, mas sabia que a protagonista era Meryl Streep e, sendo ela, depois de 'O Diabo veste Prada', o filme tinha tudo para ser (ao menos) bom. O primeiro filme de Meryl Streep que assisti foi 'A Mulher do Tenente Francês', lá no início dos anos 80. É o que eu chamaria de filme 'cult'. Já naquele tempo, a mulher sobrava em cena e acabou, é claro, ganhando o Oscar.
Pois bem, ontem, mais uma vez, assisti a atriz transformada em um novo personagem: uma cozinheira americana que era apaixonada pela cozinha francesa - a Julia Child.
Não sou crítico de cinema, sou apenas um admirador do cinema e de sua magia. Aliás, não sou nem um pouco adepto ao formalismo e excentricidades dos críticos, mas me atrevo a dizer que a Meryl Streep é capaz de transformar roteiros de 'sessão da tarde' em filmes absolutamente maravilhosos. Essa mulher se transforma nos seus personagens. Ela fala como eles, anda como eles, olha como eles e se veste como eles. Isso pode paracer óbvio, mas todas as outras atrizes também têm essa oportunidade, mas não conseguem fazer como a Meryl faz. Ela parecer ter um baú-sem-fundo de onde traz as fantasias que compõem as suas facetas.
Há atores e atrizes que são repetitivos em suas interpretações, o que nos permite achar que os conhecemos de verdade, que sabemos quais são os seus modos de falar, de se mover e até de pensar, mas com Meryl Streep isso não pode ser feito, pois, a cada personagem, você não encontra nada em comum com o que ela interpretou no passado, e aí você pensa: como seria essa mulher no seu dia-a-dia? Como ela fala com o seu marido ou filhos? Como ela caminha? Como ela pensa?
Noutro dia, eu assisti a uma entrevista curta com Meryl. Ela me pareceu um pouco arrogante, mas com tanto talento eu até entendo e concordo. Meryl Streep é mágica.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
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